TRANSCRIÇÃO DO MANUSCRITO

 ‘Relação historica de huma oculta, e grande Povoação, antiguissima sem mo- radores, que se descubrio no anno de 1753. Em a America …………………………………….. nos interiores………………………………………. contiguo aos……………………………………….. Mestre de campo…………………………………. e sua comitiva, havendo dez annos de que viajava pelos certões, a vêr se descubria as decantadas minas de Prata do gran- de descubridor Moribeca, que por culpa de hum Governador se não fizerão pa- tentes, pois queria lhe uzurpar-lhe esta gloria e o teve prezo na Bahia até morrer, e fi- carão por descubrir: Veio esta noticia ao Rio de Janeiro em principio do anno de 1754. Depois de huma longa, e inoportuna perigrinação, incitados da incaciavel cobiça de ouro, e quazi perdidos em muitos annos por este vastissimo certão, descubrimos huma cordilheira de montes tão elevados, que parecia chegavão a Região etheria, e que servirão de throno ao vento as mesmas estrellas; o luzimento que de Longe se admirava, principalmente quando o Sol fazia impressão ao Cristal de que era composta e formando huma vista tão grande e agradavel, que ninguem daquelles reflexos podia afastar os olhos: entrou a chover antes de entrarmos  a registrar esta christallina maravilha e viamos sobre a pedra escalvada correr as agoas precipitando-se dos altos rochedos, parecendo-nos como a neve, ferida dos raios do sol, pelas admiraveis vistas daquelle chris ……………………………………………………uina se reduziria ………………………………………………..das aguas e tranquilidade do tempo nos resolvemos a investigar aquelle admiravel prodigio da natureza, chegando-nos no pé dos Montes, sem embaraço Algum de Matos, ou Rios, que nos difficultasse o trânsito, porem, circulando as Montanhas, não achamos pasio franco para executar-mos a rezolução de accommeter-mos estes Alpes e Pyrineos Brasílicos, rezultando-nos deste desengano huma inexplicavel tristeza. Abarracados nós, e com o dezignio de retrocedermos no dia seguinte, sucedeo correr hum negro, andando à lenha, a hum veado branco, que vio, e descobrir por este acazo o caminho entre duas serras, que parecião cortadas por artificio, e não pela Natureza: com o alvoroço desta novidade principiamos a subir, achando muita pedra solta, e amontoada por onde julgamos ser cal- çada desfeita com a continuação do tempo. Gastamos boas tres horas na subida, porém suave pelos christaes que admiravamos, e no cume do Monte, fizemos alto, do qual estendendo a vista, vimos em hum Campo razo maiores demonstracoes para a nossa admiração.  Divisamos cousa de legoa, e meia huma Povoação grande, persuadindo-nos pelo dilatado da figura ser alguma cidade da Corte do Brazil: descemos logo ao Valle com cautela…………..lferia em semelhante cazo, mandando explorar…………………………………….. gar a qualidade, e ……………………………………………… se bem que repararam ……………………………………….. Fuminés, sendo este, hum dos signaes evidentes das povoações. Estivemos dois dias esperando aos exploradores para o fim que muito desejavamos, e só ouviamos cantar gallos para ajuizar que havia alli povoadores, até que chegarão os nossos desenganados de que não havia moradores,ficando todos confuzos: Resolveo-se depois hum índio da nossa commitiva a entrar a todo risco, e com precaução, mas tornando assombrado, afirmou não achar, nem descobrir rastro de pessoa Alguma: este cazo nos fez confundir de sorte, que não o acreditamos pelo que viamos de domecilios, e assim se arranjarão todos os exploradores a ir seguindo os passos do índio. Vierão, confirmando o referido depoimento de não haver povo, e assim nos determinamos todos a entrar com armas por esta povoação, em huma madrugada, sem haver quem nos sahisse ao encontro a impedir os passos, e não achamos outro caminho senão o unico que tem a grande povoação, cuja entrada he por tres arcos de grande altura, o do meio he maior, e os dois dos lados são mais pequenos: sobre o grande, e principal devizamos Letras, que se não poderão copiar pela grande altura Faz huma rua da largura dos três arcos, com cazas de sobrados de huma, e outra parte, com as fronteiras de pedra lavrada, e já denegrida. So- …………………………………..inscripções, abertas todas ……………………………………ortas são baxas defei- …………………………………….nas, notando que pela regularidade,e semetria em que estão feitas, parece huma só propriedade de cazas, sendo em realidade muitas, e Algumas com seus terraços descubertos, e sem telha, porque os tetos são de ladrilho requeimado huns, e de lajes outros. Corremos com bastante pavor Algumas cazas, e em nenhuma achamos vestígios de alfaias, nem móveis, que pudéssemos pelo uso, e trato, conhecer a qualidade dos naturaes: as cazas são todas escuras no interior, e apenas tem huma escaça luz, e como são abóbodas, ressoavam os ecos dos que falavão, e as mesmas vozes atemorizavão. Passada, e vista a rua de bom cumprimento, demos em huma Praça regular, e no meio della huma collumna de pedra preta de grandeza extraordinária, e sobre ella huma Estatua de homem ordinário, com huma mão na ilharga esquerda, e o braço direito estendido, mostrando com o dedo index ao Polo do Norte: em cada canto da dita Praça está huma Agulha a immitação das que usavão os Romanos, e mais algumas já maltratadas, e partidas, como feridas de Alguns raios. Pelo lado direito desta Praça esta hum soberbo edifício, como casa principal de Algum senhor da Terra, faz hum grande sallão na entrada e ainda com medo não corremos todas as casas, sendo tantas, e as retrat………………………………… zerão formar Algum……………………………………. mara achamos hum……………………………………. massa de extraordinária …………………………….. pessoas lhe custavão a levanta lla. Os morcegos erão tantos, que investião as caras das gentes, e fazião uma tal bulha, que admirava: sobre o pórtico principal da rua está huma figura de meio relevo talhada da mesma pedra e despida da cintura para cima, coroada de louro: reprezenta pessoa de pouca idade, sem barba, com huma banda atraveçada, e hum fraldelim pela cintura: debaixo do escudo da tal figura tem alguns characteres já gastos com o tempo, divizão-se, porém os seguintes: Da parte esquerda da dita Praça esta outro edifício totalmente arruinado, e pelos vestígios bem mostra que foi Templo, porque ainda conserva parte de seu magnífico frontespicio, e Algumas naves de pedra inteira: ocupa grande territorio, e nas suas arruinadas paredes, se vem obras de primor com Algumas figuras, e retratos embutidos na pedra com cruzes de vários feitios, corvos, e outras miudezas que carecem de largo tempo para admira llas. Segue-se a este edificio huma grande parte de Povoação toda arruinada e sepultada em grandes, e medonhas aberturas da terra, sem que em toda esta circunferencia se veja herva, arvore, ou planta produzida pela natureza, mas sim montões de pedra, humas toscas outras lavradas, pelo que entendemos ha as fronteiras de ……………….verção, porque ainda entre …………………………………………….da de cadáveres, que …………………………………………….e parte desta infeliz …………………………………………….da, e desamparada, ………..talves por Algum terremoto. Defronte da dita Praça corre hum caudalozo Rio, arrebatadamente largo, e espaçoso com Algumas margens, que o fazem muito agradavel a vista, terá de largura onze, até doze braças, sem voltas concideraveis, limpas as margens de arvoredo, e troncos, que as inundações costumão trazer: sondamos a sua Altura, e achamos nas partes mais profundas quinze, até dezesseis braças. Daparte dalém tudo são campos muito viçosos, e com tanta variedade de flores, que parece entoar a Natureza, mais cuidadoza por estas partes, fazendo produzir os mais mimozos campos de Flora: admiramos tambem algumas lagôas todas cheias de arrôs: do qual nos aproveitamos e também dos innumeraveis bandos de patos que se crião na fertilidade destes campos, sem nos ser deficil cassa-llos sem chumbo mas sim as mãos. Tres dias caminhamos Rio abaixo, e topamos huma catadupa de tanto estrondo pela força das agoas, e rezistencia no lugar, que julgamos não faria maior as boccas do decantado Nillo: depois deste salto espraia de sorte o Rio que parece o grande Oceano: He todo cheio de Peninsulas, cubertas de verde relva: com Algumas arvores disperças, que fazem……………..hum tiro com davel. Aqui achamos……………………………………….. a falta delle de noss…………………………………………. ta variedade de caça………………………………………… tros muitos animais criados sem cassadores que os corrão, e os persigão. Daparte do oriente desta catadupa achamos varios subcavões, e medonhas covas, fazendo-se experiência de sua profundidade com muitas cordas; as quais por mais compridas que fossem, nunca podemos topar com o seu centro. Achamos também Algumas pedras soltas, e na superfície da terra, cravadas de prata, como tiradas das minas, deixadas no tempo Entre estas furnas vimos huma coberta com huma grande lage, e com as seguintes figuras lavradas na mesma pedra, que insinuão grande mistério ao que parece. Sobre o Portico do Templo vimos outras da forma seguinte dessignadas. Afastado da Povoação, tiro de canhão, está hum edificio, como caza de campo, de duzentos e sincoenta passos de frente; pelo qual se entra por hum grande portico, e se sobe, por huma escada de pedra de varias côres, dando-se logo em huma grande salla, e depois desta em quinze cazas pequenas todas com portas para a dita salla, e cada huma sobre si, e com sua bica de agoa …………………………………………..qual agoa de ajunta ………………………………………..mão no pateo externo ……………………………………………columnatas em cir- …………………………………………….dra quadrados por arteficio, suspensa com os seguintes caracteres: Depois destas admirações entramos pelas margens do Rio a fazer experiencia de descobrir ouro e sem trabalho achamos boa pinta na superficie da terra, prometendo-nos muita grandeza, assim de ouro, como de prata: admiramonos ser deixada esta Povoação dos que a habitavão, não tendo achado a nossa exacta diligencia por estes certões pessoa Alguma, que nos conte desta deploravel maravilha de quem fosse esta povoação, mostrando bem nas suas ruínas a figura, de grandeza que teria, e como seria populosa, e oppulenta nos séculos em que floreceu povoada; estando hoje habitada de andorinhas, Morcegos, Ratos e Rapozas que cebadas na muita creação de galinhas, e patos, se fazem maiores que hum cão perdigueiro. Os Ratos tem as pernas tão curtas, que saltão como pulgas, e não andão, nem correm como os de povoado. Daqui deste lugar se apartou hum companheiro, o qual com outros mais, depois de nove dias de boa marcha avistarão a beira de huma grande enseada que faz hum Rio a huma canôa com duas pessoas brancas, e de cabellos pretos, e soltos, vestidos a Europea, e dando hum tiro como signal para sever………………………………………………… para fugirem. Ter……………………………………………….. felpudos, e bravos,………………………………………….. ga a elles se encrespão todos, e investem Hum nosso companheiro chamado João Antonio achou em as ruinas de huma caza hum dinheiro de ouro, figura esferica, maior que as nossas moedas de seis mil e quatrocentos: de huma parte com a imagem, ou figura de hum moço posto de joelhos, e da outra parte hum arco, huma coroa e huma setta, de cujo genero não duvidarmos se ache muito na dita povoação, ou cidade dissolada, por que se foi subversão por Algum terremoto, não daria tempo o repente a por em recato o preciozo, mas he necessario hum braço muito forte, e poderozo para revolver aquele entulho calçado de tantos annos como mostra. Estas noticias mando a v.m., deste certão da Bahia, e dos Rios Pará-oaçu, Uná, assentando não darmos parte a pessoa Alguma, porque julgamos se despovoarão Villas, e Arraiais; mas eu a V.me. a dou das Minas que temos descuberto, lembrando do muito que lhe devo Suposto que da nossa Companhia sahio já hum companheiro com pretexto differente, contudo peço-lhe a V.me. largue essas penú- rias, e venha utilizar-se destas grandezas, usando da industrias de peitar esse indio, para se fazer perdido, e conduzir a V.me. para estes thesouros, etc ……………………………………………Acharão nas entradas …………………………………………………….sobre lages.”

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PRODUÇÃO DO MANUSCRITO

Entrementes, quando a expedição seguiu adiante e encontrou os rios Paraguaçu e Una, o manuscrito foi confeccionado em forma de carta, com o respectivo relato, e enviado às autoridades no Rio de Janeiro, e a localização da cidade supostamente visitada tornou-se um mistérios que viria atrair atenção de renomadas figuras históricas.

Acredita-se que o manuscrito tenha sido produzido quando o grupo seguiu adiante com a expedição, enviando o documento ao Rio de Janeiro endereçado às autoridades competentes. No entanto, como acontece com todo mistério que se preze, a identidade dos bandeirantes foi perdida, e a localização da suposta cidade jamais foi descoberta.

É claro que o documento acabou atraindo a atenção de renomados pesquisadores, e uma das hipóteses é a de que a cidade teria sido construída por antigos vikings há mais de mil anos. Outra teoria é que as construções teriam semelhanças com edifícios etíopes da Idade Média, e as inscrições estariam em “gueez”, um antigo idioma desse povo. No entanto, também há quem acredite que os textos sejam do grego ptolomaico, uma forma demótica do egípcio.

Apesar de tantas teorias e de diversas buscas pela cidade perdida, o fato é que o Manuscrito 512 ainda é um dos maiores mistérios da cultura brasileira, e é possível que jamais seja decifrado. O acesso ao documento, que se encontra bem deteriorado, é bastante restrito.

INSCRIÇÕES ENCOTRADAS NA CIDADE

De acordo com o escritor Barry Fell, as inscrições (Imagem 5 ) são em grego ptolomaico, uma forma de egípcio demótico, havendo trechos em alfabeto (muito usado pelos caldeus nas suas impressões em tesouros escondidos, entre outros usos). São lidas e traduzidas como segue:

  1. Kuphis — Ptolomaico corrupto: “Perfumes de Fragrância.”
  2. Hedysmos — Ptolomaico corrupto: “Ervas Aromáticas e Temperos.”
  3. Khrys Phlkioun — Alfabeto de Scorpio: “Tesouraria de Ouro.”
  4. Asem Ephedria — Ptolomaico corrupto: “Casa-guarda para barras de prata não-estampadas”.

escrituras

DESCRIÇÃO DA CIDADE PERDIDA

Há descrição de diversos ambientes observados pelos bandeirantes, admirados e confusos com seu achado, todos relatados com associações do narrador, tais como: a praça na qual se erguia uma coluna negra e sobre ela uma estátua que apontava o norte, o pórtico da rua que era encimado por uma figura despida da cintura para cima e trazia na cabeça uma coroa de louros, os edifícios imensos que margeavam a praça e traziam em relevo figuras de alguma espécie de corvos e cruzes.

O local também apresentava características arquitetônicas diferentes do estilo da época, assim como algumas esquisitices, como o fato de estar completamente abandonada e contar com alguns trechos destruídos.

Além disso, os edifícios — em sua maioria com mais de um pavimento — encontravam-se totalmente vazios, e não existia qualquer vestígio de ocupação humana recente. O autor do manuscrito também descreve uma praça na qual havia a estátua de um homem sobre coluna negra — com o corpo despido até a cintura e com uma coroa de louros na cabeça — apontando para o norte.

Os edifícios próximos à praça seriam enormes e contariam com estranhas figuras em relevo parecidas com corvos e cruzes, e um rio que passava pelo lugar conduzia a uma cachoeira. Lá o grupo teria encontrado inúmeras sepulturas com curiosas inscrições, além de uma misteriosa moeda de ouro.

Segundo a narrativa transcrita no documento, próximo a tal praça haveria ainda um rio que foi seguido pela comitiva e que terminaria em uma cachoeira, que aparentemente teria alguma função semelhante à de um cemitério, posto que estava rodeada de tumbas com diversas inscrições, foi neste local que os homens encontraram um curioso objeto, que foi encontrado ao acaso, e descrito cuidadosamente na carta consiste em uma grande moeda confeccionada em ouro. Tal objeto, de existência e destino incógnitos, trazia emblemas em sua superfície: cravados na peça havia em uma face o desenho de um rapaz ajoelhado, e no reverso combinados permaneciam as imagens de um arco, uma coroa, e uma flecha.

O ENCONTRO COM A CIDADE PERIDA

O relato da expedição, em sua parte mais conhecida, conta que houve quem avistasse de uma grande montanha brilhante, em consequência da presença de cristais e que atraiu a atenção do grupo, bem como seu pasmo e admiração. Tal montanha frustrou o grupo ao tentar escalá-la, e transpô-la foi possível apenas por acaso, pelo fato de um negro que acompanhava a comitiva ter feito caça a um animal e encontrado na perseguição um caminho pavimentado em pedras que passada por dentro da montanha rumo a um destino ignorado.

Após atingir o topo da montanha de cristal os bandeirantes avistaram uma grande cidade, que a princípio confundiram com alguma pole já existente da costa brasileira e devidamente colonizada e civilizada, todavia ao inspecioná-la verificaram uma lista de estranhezas entre ela e o estilo local, além do fato de estar em alguns trechos completamente arruinada, e absoluta e totalmente vazia: seus prédios, muitos deles com mais de um andar jaziam abandonados e sem qualquer vestígio de presença humana, como móveis ou outros artefatos.

A entrada na cidade era possível apenas por meio de somente um caminho, macadamizado, e ornado na entrada com três arcos, o principal e maior ao centro, e dois menores aos lados; o autor do texto expedicionário observa que todos traziam inscrições em uma letra indecifrável no alto, que lhes foi impossível ler dada a altura dos arcos, e menos ainda reconhecer.

O aspecto da cidade narrada no documento 512 mescla caracteres semelhantes aos de civilizações antigas, porém traz ainda outros elementos inidentificados ou sem associação; o cronista observa que todas as casas do local semelhavam a apenas uma por vezes ligadas entre si em uma construção simétrica e uníssona.

A LENDA DE MURIBECA

A lenda das minas de Muribeca se remonta ao século XVI, quando o português Diego Álvares foi o único sobrevivente de um desastroso naufrágio próximo à costa do Brasil. Salvaram-no alguns indígenas tupis-guaranis e, nos meses seguintes, aprendeu o idioma dos nativos e se casou com uma jovem, chamada Paraguaçu. Álvares teve vários filhos e netos. Um deles, que viveu durante muito tempo com os autóctones tupis, chamou-se Muribeca. Depois de uma viagem ao interior do continente, guiado por nativos tapuias, Muribeca encontrou uma riquíssima mina de ouro, prata, diamantes, esmeraldas e rubis. Com o tempo, organizou a exploração da mina e se tornou riquíssimo, pois vendia pepitas de ouro e pedras preciosas no porto da Bahia (atual Salvador). O filho de Muribeca, cujo nome era Robério Dias, era muito ambicioso e, durante uma viagem a Portugal, pediu ao rei do Portugal o título de marquês.
O rei prometeu conceder-lhe o almejado título, mas só se Robério Dias revelasse o segredo de seu pai e cedesse as minas à Coroa portuguesa.
Robério Dias aceitou, mas quando a expedição chegou à Bahia, pouco antes de empreender a viagem em direção às minas, persuadiu o oficial do rei de que lhe abrisse a carta que continha o título de marquês. Deu-se conta, ao contrário, de que tinha só um título de pouca importância, quer dizer, capitão de missão militar. Negou-se então a indicar o caminho em direção às minas, e foi encarcerado por muitos anos.

Quando morreu, em 1622, levou consigo à tumba o segredo da exata localização das minas achadas e exploradas por seu pai, Muribeca.
Desde então, muitos partiram em busca da fabulosa veia de ouro, mas quase todos morreram no intento ou regressaram sem haver alcançado o objetivo de sua viagem.

O documento mais importante sobre as minas de Muribeca apareceu casualmente em 1839, no Tomo I do periódico do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Tratava-se do relato da viagem do aventureiro Francisco Raposo, efetuada em 1753

O QUE FALA O MANUSCRITO?

O documento que hoje traz o subtitulo de “Relação histórica de uma oculta e grande povoação antiquíssima sem moradores, que se descobriu no ano de 1753”, narra o encontro do grupo de bandeirantes com ruínas de uma cidade perdida e desconhecida até então. Nele se narra o descobrimento de uma maravilhosa cidade perdida de casas de pedra e amplas ruas, além de numerosas inscrições gravadas nas pedras em uma língua completamente desconhecida.

A viagem de exploração teve lugar em 1753, quando um grupo de homens guiados por Francisco Raposo e João Silva Guimarães, adentrou-se nas selvas do atual estado brasileiro da Bahia. Antes que nada há que se considerar que faz aproximadamente 270 anos o atual estado da Bahia estava dominado por hordas de Aimorés e Pataxós, nativos belicosos cujas terras foram conquistadas só muitos anos depois. Aventurar-se no interior da chamada “Mata Atlântica”, a selva tropical que agora, lamentavelmente, está reduzida só a pequenos pedaços, era muito perigoso.

Francisco Raposo buscava as fantasmagóricas minas de ouro e de prata de Muribeca, cuja localização física era desconhecida.